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domingo, 20 de julho de 2008

Baby Snakes - O Filme






Se você não conhece nada do trabalho do grande Frank Zappa, este filme é uma ótima pedida para conhecer a música e a pessoa do mestre Frank.


Baby Snakes foi lançado originalmente em 1979, com alguns problemas em sua distribuição. A United Artists que tinha lançado anteriormente o 200 Motels do Zappa, não quis aceitar o Baby Snakes, pois achava que o tipo de filme feito por Zappa estava ultrapassado e não teria mercado. Sendo assim Zappa, lançou-o pela sua própria companhia, a Intercontinental Absurdities. Logo que saiu Baby Snakes rodou durante um dia inteiro no Victoria Theater em Nova Yorque e foi um sucesso.


Mesmo assim até meados dos anos 90, o filme poderia apenas ser adquirido através de pedidos à empresa que comandava (e comanda) os negócios de Zappa, a Zappa Family Trust. Mas o que Baby Snakes tem de bom? É aí que eu queria chegar. O filme contém cenas do lendário show de Halloween de 1977, além de várias cenas de bastidores e as animações com massinha de Bruce Brickford. O show em si é uma comédia pura, contando com a participação especial do lendário Roy Estrada, (baixista fundador do “Mothers of Invention” banda que acompanhou Zappa no início de sua carreira) sendo este o responsável pelas partes mais engraçadas do show. Nota-se que a função dele no palco é apenas fazer vozes esquisitas e encenar bizarrices comandadas por Zappa.





Além do mestre na guitarra, ainda temos uma timaço de músicos: Adrian Belew (que ficaria famoso anos mais tarde participando do Talking Heads e do King Crimson) na guitarra, Terry Bozzio (que acompanhou Zappa por muito tempo) na bateria, Patrick O’Hearn no baixo, Tommy Mars ( que acompanhou Zappa também por muito tempo) nos teclados, Peter Wolf nos teclados, Edd Mann (que seguiu Zappa por muito tempo) na percussão e o citado Roy Estrada.


Contamos ainda com a participação do público, que volta e meia é convidado por Zappa a subir no palco e participar de uma música. É um show bem diferente, uma verdadeira festa. Nos bastidores temos as bizarrices de Roy Estrada com uma boneca inflável, e depoimentos de integrantes da banda. Temos ainda o malucão Bruce Brickford, mostrando o seu Set de filmagens e sua manipulação com as massinhas de modelar, ajudado por Zappa.


Baby Snakes foi lançado em DVD pela Eagle Eye Vision em 2003. É um pouco difícil de achar, mas vale assistir. Outro fato é que o DVD não possui legendas. O filme mostra pouco, da carreira gigantesca de Frank Zappa que era uma figura diferente dos outros artistas famosos de sua época. Para ilustrar isso, o fim do filme mostra a humildade do artista.


Ao sair do local do show, ele pára o carro em um sinaleiro e cumprimenta alguns fãs que vão passando. A princípio os caras não acreditam que é ele. Este deseja boa noite aos garotos. É o fantástico Zappa.


domingo, 18 de novembro de 2007

Frank Zappa - One Size Fits All - 1975

Falar de Frank Zappa é sempre complicado. Pra começar, acredito que nos cursos relativos a música, deveria ser implantada uma matéria específica sobre a música do Zappa, pois qual maestro resolveu descambar para o rock?!

No total Zappa tem 57 discos lançados em vida e mais 18 lançados após sua morte(em 1993), fora os filmes e coletâneas. O álbum de nº 19 (One Size Fits All - 1975) é um dos meus favoritos, e por isso compartilharei um pouco desta obra-prima do rock.

One Size Fits All


Também conhecido pelos fãs como o "disco do sofá", é o último álbum de Frank Zappa em que figura o nome de sua banda de apoio, o "Mothers of Invention". Os discos posteriores figurariam apenas o nome do Zappa.

Na formação temos (além do Zappa, claro) Chester Thompson (bateria...atualmente tocando com o Genesis), Ruth Underwood (marimbas, vibrafones e percussão), Tom Fowler (baixo), George Duke (teclados, vocal...tocou com Stanley Clarke), o malucasso Captain Beefheart (harmônica), Nepoleon Murphy Brock (vocal, sax) e ainda contava com Johnny "Guitar" Watson em duas faixas. Johnny era uma das influências de Zappa quando este começou a tocar guitarra. Apresentado o time (só gente de peso), temos então composições pra lá de complicadas, que para os ouvidos mais desacostumados podem parecer uma loucura sem fim.

De cara abre-se com "Inca Roads", uma canção engraçada sobre as teorias malucas do livro "Eram os Deuses Astronautas?". O tempo desta música é algo fantástico, comandada pela marimba de Ruth Underwood. O solo de guitarra de Zappa é muito bonito, mesclando virtuosismo com sentimentalismo. No fim da música existem frases cantadas muito rapidamente falando de um incidente engraçado envolvendo Chester Thompson (Pra constar, no Pink Pop Festival de 1990 John Frusciante dos Red Hot Chilli Peppers, começou a cantar um pedaço da canção no intervalo de uma de suas músicas).

Na sequência, "Can't Afford No Shoes" traz um clima bem alegre que me remete a outras músicas engraçadas do Zappa. "Sofa No. 1" é uma composição instrumental, das mais belas que alguém pode ter composto na história da música. Não podemos esquecer que era o Zappa quem compunha tudo. Então pense que a "Sofa No. 1" foi inteira arquitetada por ele. Não há o que falar desta música, é ouvir e viajar!

"Po-Jama People" traz novamente um clima irreverente, com o vocal tradicional do Zappa (cantado bem próximo ao microfone em um tom bem grave) e no fim da música ele meio que canta e "tosse" (hoy, hoy, hoy)."Florentine Pogen" vem com Chester Thompson destruindo a bateria e uma interpretação muito bancana de Napoleon Murphy Brock. Segundo o próprio Frank Zappa esta é uma canção de amor. No fim da música há outra zoação com o batera Chester Thompson, quando é cantado "...chesters gorilla..." várias vezes ( No DVD "Dub Room Special" sobe alguém fantasiado de gorila no palco e fica passando um pente na cabeça de Chester Thompson).

A impagável "Evelyn, a Modified Dog" é demonstração do humor ácido de Zappa. Começa com um pianinho bem suave e o Zappa cantando com seu vocal tradicional."San Ber'dino" é um rock/blues de primeira. Temos aqui o vocal de Johnny "Guitar" Watson e a harmonica de Captain Beffheart. A música fala sobre um incidente em que Zappa ficou preso na cadeia de San Ber'dino, acusado de mexer com pornografia (na verdade Zappa em 1964 tinha um estúdio em Cucamonga e fazia gravações de bandas, mas os vizinhos ao redor não gostavam daquele monte de cabeludos que entravam e saiam daquele estudio; sendo assim armaram uma pra cima do Zappa, que acabou levando a pior e foi preso).

Depois vem "Andy" com quase todo mundo cantando. "Andy" é bem progressiva, e mistura um monte de estilos. Tem até um blues no meio dela, a cargo (denovo) de Johhny "Guitar" Watson (No Cd tributo ao Zappa lançado após sua morte, a banda brasileira "Central Scrutinizer" participou com um cover de "Andy" ao lado de inúmeras outras bandas covers do Zappa de várias partes do mundo).

Por fim temos "Sofa No. 2", que nada mais é do que a "Sofa No. 1" com um vocal pra lá de engraçado, com umas partes cantadas em inglês, outras em alemão, com modificaões no tom das vozes (mais graves), risadas no meio da música, enfim, só escutando para crer.

Por fim, é um disco pra quem quer iniciar nesse universo gigantesco que é a música de Frank Zappa. Segundo o próprio "Music is the best"!!!!!!